O Ceará registra uma média de 1,2 mil pedidos de pensão alimentícia por mês, totalizando mais de 14 mil solicitações em 2023, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Esse aumento demonstra a crescente judicialização da responsabilidade financeira, especialmente em casos de mães solo, que buscam na Justiça o cumprimento das obrigações paternas. Especialistas apontam fatores culturais e econômicos como principais causas, com a predominância de uma visão machista que sobrecarrega as mulheres na criação dos filhos.
A falta de compromisso por parte de muitos pais em arcar com os custos de sustento e educação das crianças é o principal motivo das ações judiciais. O cenário mostra que, apesar dos avanços sociais, ainda há uma grande parcela da sociedade que não enxerga a pensão como uma responsabilidade conjunta, mas como um peso exclusivamente materno. Essa realidade se reflete nas dificuldades das mães em prover o básico para seus filhos sem esse suporte financeiro.
Além do impacto financeiro, há também efeitos emocionais para os envolvidos, principalmente para as crianças, que ficam no meio do conflito entre os pais. A ausência do suporte financeiro pode comprometer o bem-estar infantil e sobrecarregar ainda mais as mães, tanto emocional quanto economicamente.
A busca por soluções passa por medidas educativas e culturais que promovam a igualdade de responsabilidades entre homens e mulheres na criação dos filhos. Paralelamente, o fortalecimento do cumprimento das leis e uma mudança na visão de paternidade são fundamentais para melhorar esse cenário.


