O Ceará enfrenta um problema crescente de ligações clandestinas de energia, popularmente conhecidas como “gatos”. Segundo a Enel, o volume de energia furtada no estado em 2023 seria suficiente para abastecer por um ano os municípios de Caucaia, Maracanaú, Sobral e Juazeiro do Norte, que juntos somam mais de 1,3 milhão de habitantes. Esse cenário impacta não só a arrecadação de impostos, mas também a qualidade do fornecimento, gerando sobrecarga na rede elétrica e prejudicando o serviço para consumidores regulares.
As regiões com maior índice de fraudes elétricas no estado são Fortaleza e o interior. Em áreas urbanas densamente povoadas e com alto índice de vulnerabilidade social, a prática é mais comum, o que reflete em perdas financeiras para a distribuidora de energia e no aumento das contas dos consumidores que pagam pelo serviço. Além do prejuízo financeiro, há riscos à segurança, com registros de incêndios e acidentes fatais provocados por essas ligações irregulares.
Para combater o problema, a Enel intensificou as ações de fiscalização, promovendo operações em parceria com as polícias e órgãos competentes. Em 2023, foram feitas milhares de inspeções e regularizações de clientes flagrados com fraudes. A distribuidora ainda busca conscientizar a população sobre os perigos e as consequências legais dessas práticas, destacando que o furto de energia é crime, passível de punição com prisão e multas.
A ampliação da fiscalização e das campanhas educativas são essenciais para reverter esse quadro, mas a solução passa também por uma melhoria das condições socioeconômicas das áreas mais afetadas. A regularização do fornecimento de energia, além de garantir segurança e qualidade no serviço, pode contribuir para o desenvolvimento local e para a inclusão social de milhares de cearenses que ainda vivem à margem da legalidade.


